Uma série de futebol que é, na verdade, sobre ansiedade, autoconhecimento e a coragem de aceitar que precisa de ajuda. E como ela me ajudou a dar um passo que eu vinha adiando há anos.

Dan, Dan, Dan, Dan, Dani Rojas, Dani Rojas…
Se você entendeu essa referência, provavelmente já sabe onde essa conversa vai chegar. Se não entendeu, tudo bem: a série vai fazer muito mais sentido do que qualquer apresentação que eu possa dar aqui.
Ted Lasso é, aparentemente, uma série de futebol. Foi o que eu pensei quando comecei a assistir. Um treinador de futebol americano amador é contratado para comandar o AFC Richmond, um clube fictício da Premier League. Ele vai para a Inglaterra sem entender nada do esporte local e, mais importante, fugindo um pouco de si mesmo e dos problemas que o assolavam nas terras do Tio Sam.
O futebol é o plano de fundo. O que a série realmente discute são as relações humanas, a liderança, a fragilidade, e, principalmente, saúde mental.

A virada de chave
O time acabou de conseguir uma vitória histórica contra o Everton – adversário que nunca haviam superado. A comemoração começa. Roy Kent, o capitão, diz que o time irá comemorar, o vestiário explode. E no meio dessa grande vitória – ALERTA DE SPOILER – Ted tem em mãos os papéis do divórcio que não conseguia assinar.
E então: o barulho, as luzes piscantes, o som alto. A câmera acompanha o ritmo da crise. Falta de ar. Dor no peito. Coração acelerado. Respiração ofegante.
A edição é precisa: você sente a tensão aumentando junto com ele. No meio da celebração do time, Ted Lasso tem uma crise de ansiedade.
Esse momento é o ponto de virada da série e o começo de uma das representações mais honestas sobre ansiedade que já vi. A partir daí, acompanhamos Ted em uma jornada real de autoconhecimento, sem romantizar o processo e sem resolver tudo em um episódio.

Por que essa série me acertou em cheio?
Desde o segundo semestre de 2022, tenho diagnóstico de TAG — Transtorno de Ansiedade Generalizada. E começou exatamente assim:
- Dores no peito
- Coração acelerado
- Respiração ofegante
Igual ao Ted, encarei como um episódio isolado que não voltaria a acontecer. Segui minha vida. Mas, sempre voltava.
Minha linha do tempo resumida:
Dezembro de 2021 — vieram os primeiros sintomas. Ignorei.
Setembro de 2022 — busquei ajuda psiquiátrica. As coisas começaram a melhorar.
Setembro de 2024 — comecei a terapia com a psicóloga. O jogo virou de verdade.
Demorei? Demorei. Tinha coisas que eu não queria falar, outras que preferia ignorar. E havia a vergonha de se abrir para uma pessoa estranha, algo que muita gente que tem ansiedade conhece bem, mas raramente admite em voz alta.
Ted Lasso me ajudou a tomar essa decisão.
Pode parecer bobagem, mas a série mostra, com uma delicadeza rara, que pedir ajuda não é fraqueza. É o passo mais difícil e mais necessário. Que carregar o mundo nas costas não é resilência. É só peso desnecessário.

Porque você também deveria assistir Ted Lasso na Apple TV?
Porque é engraçado. De verdade. Se você gosta desse tipo de série, vai rir muito.
Ah, também porque os personagens são complexos e surpreendentes. Você se importa e se identifica com todos, em algum grau.
E claro, porque o futebol é só o cenário para discutir algo muito maior: o que significa ser humano, ser vulnerável e ainda assim continuar.
Todos somos frágeis. Mas, nem sempre aceitamos isso. Aceitar é o primeiro passo para parar de fingir que não somos.
Você já se identificou com um personagem de série de um jeito que mudou alguma coisa em você? Conta pra mim aqui nos comentários.
Nos vemos na próxima, valeu.

Apenas um cara de 25 anos que parou de tentar entender a vida, e começou a contá-la.



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